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Relatório revelou diferença salarial entre homens e mulheres; veja valores

As mulheres continuam recebendo, em média, 21,2% menos do que os homens nas empresas brasileiras com 100 ou mais funcionários, conforme revela o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O estudo analisou dados de aproximadamente 54 mil empresas, considerando o período entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025.

Na prática, a remuneração média feminina foi de R$ 3.908,76, contra R$ 4.958,43 dos homens, ou seja, uma diferença salarial de cerca de R$ 1.050. Apesar do aumento na participação das mulheres no mercado de trabalho, que passou de 40,6% para 41%, os homens ainda ocupam 59% dos mais de 19 milhões de empregos formais avaliados.

O relatório destaca que a disparidade salarial é ainda mais grave quando se analisa por raça. Mulheres negras recebem cerca de 46% a menos que homens não negros, com remuneração média de R$ 2.986, enquanto homens brancos chegam a receber R$ 6.391. A diferença na admissão chega a 33,5% para as mulheres negras.

Geograficamente, os estados com maiores diferenças salariais médias são Paraná e Rio de Janeiro (28,5%), seguidos por Santa Catarina, Mato Grosso e Espírito Santo. Já os estados com menores disparidades são Piauí (7,2%), Amapá, Acre e Distrito Federal (próximos de 9%).

Para enfrentar esse cenário, as empresas devem promover práticas de flexibilidade na jornada de trabalho, incentivar a contratação de mulheres, incluindo negras, pessoas com deficiência e LGBTQIA+. O Ministério do Trabalho já realizou centenas de fiscalizações e cobrou a publicação de relatórios de igualdade salarial conforme previsto na Lei de Transparência Salarial, sancionada em 2023.

A desigualdade salarial entre homens e mulheres reflete questões sociais profundas e exige um trabalho conjunto do Estado e da iniciativa privada para que a equidade se torne uma cultura e não apenas uma obrigação legal.​