Número de afastamentos do trabalho foram por saúde mental em 2024 gera alerta
Em 2024, o Brasil registrou um aumento significativo no número de trabalhadores afastados devido a transtornos mentais. De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, 472.328 pessoas precisaram se afastar do trabalho por problemas psicológicos, representando um aumento de 68% em relação ao ano anterior. Este cenário destaca a crescente preocupação com a saúde mental no ambiente de trabalho.
Em Pernambuco, por exemplo, 11.410 trabalhadores foram afastados por questões de saúde mental. O excesso de exigências no trabalho é um dos principais fatores que contribuem para esse aumento. A busca incessante por alta performance muitas vezes negligencia a necessidade de cuidar da saúde mental e física.
Principais transtornos mentais que levam ao afastamento do trabalho
Os transtornos de ansiedade e depressão estão entre os diagnósticos mais comuns que resultam em afastamentos. Em 2024, houve 141.414 afastamentos devido à ansiedade e 113.604 por depressão. Outros transtornos significativos incluem depressão recorrente, transtorno bipolar, dependência de substâncias, reações ao estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo.
Embora a síndrome de burnout, caracterizada pelo esgotamento profissional, não esteja entre as principais causas de afastamento, ela ainda representa um problema relevante, com 4 mil casos registrados.
O uso excessivo das redes sociais também tem um impacto significativo na saúde mental dos trabalhadores. As redes frequentemente promovem uma imagem irreal de sucesso e felicidade, criando uma pressão para manter essa aparência idealizada. Essa pressão pode contribuir para o aumento dos transtornos mentais, ao fomentar uma dependência de validação social medida por curtidas e compartilhamentos.
O Ministério do Trabalho e Emprego introduziu atualizações na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que agora inclui a consideração dos riscos psicossociais na fiscalização das condições de trabalho. Empresas que expõem seus funcionários a situações de estresse extremo podem enfrentar penalidades financeiras.
Especialistas recomendam que as empresas implementem programas de bem-estar focados na saúde mental, promovam horários de trabalho flexíveis e invistam no treinamento contínuo de líderes.