Mais um país pode adotar a jornada de quatro dias trabalho semanais
A Coreia do Sul está discutindo uma proposta controversa para ampliar a jornada de trabalho semanal, que atualmente é limitada a 52 horas (40 horas regulares mais até 12 horas extras). A ideia, impulsionada por grandes empresas como Samsung e Hyundai, visa aumentar o limite para até 69 horas semanais, como forma de enfrentar uma crise de produtividade e o grave problema demográfico do país, que possui uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo.
Segundo o Ministério do Trabalho da Coreia do Sul, as novas regras permitiriam que os trabalhadores acumulem horas extras, podendo compensar depois com folgas mais longas, beneficiando especialmente pais e cuidadores. O governo alega que a medida traria maior flexibilidade e ajudaria a melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
No entanto, a proposta tem gerado forte resistência dos sindicatos e trabalhadores, que afirmam que a ampliação da carga horária não leva em conta a saúde e o descanso dos funcionários. A Confederação Coreana de Sindicatos destacou que essa mudança poderia legalizar jornadas de trabalho que vão das 9h da manhã até a meia-noite, por cinco dias consecutivos, aumentando a pressão sobre o trabalhador.
Jornada de trabalho semanal semanal seria reduzida para 36 horas
Enquanto isso, no parlamento sul-coreano, a oposição defende a adoção da semana de trabalho de quatro dias, com uma redução do limite semanal para 36 horas, visando a melhoria da qualidade de vida. Essa proposta, porém, enfrenta dificuldades em meio ao cenário de aumento de lucratividade de empresas como a Samsung, que registrou crescimento de 23% em sua divisão móvel após a intensificação das jornadas.
Esse debate reflete o dilema que a Coreia do Sul enfrenta entre a necessidade de aumentar a produtividade para manter sua competitividade econômica e a pressão para garantir condições de trabalho mais humanas e saudáveis para seus cidadãos, marcando um ponto de tensão social e político relevante no país.