iFood, Uber e outras plataformas seguem sem garantir trabalho justo, diz pesquisa
Um relatório recente elaborado pelo Projeto Fairwork Brasil, em parceria com a Universidade de Oxford, revela a dura realidade enfrentada pelos trabalhadores de plataformas digitais no Brasil, como os motoristas e entregadores de aplicativos. Intitulado “Endividamento e Precariedade: O retrato do trabalho em plataforma no Brasil,” o estudo analisou dez plataformas populares de transporte, entrega e serviços sob demanda, avaliando-as com base em cinco critérios essenciais: remuneração, condições de trabalho, contratos, gestão e representação.
Os resultados foram alarmantes: apenas duas empresas, InDrive e Superprof, conseguiram pontuar, cada uma somando apenas um ponto, reconhecidas por pagarem ao menos o equivalente ao salário mínimo por hora já descontados os custos de trabalho, como combustível e manutenção. Nenhuma das empresas cumpriu satisfatoriamente os demais critérios, indicando que as condições para esses trabalhadores são precárias, com falta de proteção social, contratos pouco claros e inexistência de canais eficazes de comunicação ou representação sindical.
Principais problemas de trabalhadores de plataformas digitais
Entrevistas feitas entre 2023 e 2025 mostraram relatos de baixos salários, longas jornadas e insegurança financeira, incluindo o fato de muitos se endividarem para continuar trabalhando, seja para custear manutenção de veículos, multas, seguros ou empréstimos incentivados pelas próprias plataformas. Segundo a organização, o modelo atual do trabalho em plataformas representa um retrocesso histórico, equiparando-se ao século XIX, quando trabalhadores formais não tinham nenhuma proteção social.
Especialistas em direitos trabalhistas e economia destacam que a classificação desses profissionais como autônomos tem servido para negar direitos básicos, como acesso à previdência social, amparo em casos de doenças e direitos trabalhistas fundamentais. Esse cenário demanda urgência em avanços regulatórios para garantir condições mais justas, com maior transparência, proteção e reconhecimento dos direitos desses trabalhadores que, apesar dos desafios, representam uma parcela importante da economia brasileira contemporânea.
O relatório conclui que, para transformar de fato a realidade desses profissionais, é essencial que plataformas digitais adotem práticas justas que vão além do mínimo, promovendo a dignidade no trabalho e o acesso a benefícios que contribuam para sua qualidade de vida e segurança econômica.